Na cidade de Ulianovsk, região do rio Volga, foi apresentado novo projeto nacional – o cluster da exposição "Museu da União Soviética". O principal objeto será o museu local de Lenin, que pertencia ao número de cinco museus mais visitados da União Soviética. É sabido que Vladimir Lenin tinha nascido precisamente nesta cidade. Além disso, o complexo vai incluir mais cinqüenta exposições.
Como se sabe, um museu não é apenas um conjunto de objetos, expostos numa certa área. Sempre deve existir uma idéia, um intento, uma concepção do museu. O cluster "Museu da União Soviética" não constitui exceção neste plano, - afirma o politólogo Viktor Kuvaldin.
"Todo o século XX decorreu no nosso país sob o signo da União Soviética. E não somente no nosso país – esta foi uma divisa para o mundo inteiro. De um modo geral, esta deve ser uma conversa muito séria sobre o século XX, sobre o nosso país, pois vivemos duas catástrofes nacionais – em 1917 e em 1991. Ao mesmo tempo, esta deve ser uma conversa reverente, pois a gente vivia não somente na União Soviética, ela trabalhava, acreditava, depositava esperanças nisso. Aí deve estar presente toda a verdade. Não somente as repressões stalinistas mas também as realizações. Foi precisamente a União Soviética e não algum outro país que ganhou a guerra e foi também ela a primeira a penetrar no espaço cósmico."
É preciso adotar um enfoque objetivo em relação à história da União Soviética, é preciso mostrá-la como uma experiência história única. O vice-presidente da Associação Russa da Indústria de Turismo Yuri Barzikin aponta:
"Esta deve ser a apresentação dos fatos e dos testemunhos objetivos precisamente daquele período. É preciso evitar que aí prepondere a ideologia, é preciso que a pessoa possa, ela própria, formar o seu juízo na base do visto."
Atualmente, os museus ligados ao passado do comunismo, foram criados também nos antigos países socialistas. Algumas destas exposições são bastante interessantes. Todavia, é pouco provável que a experiência estrangeira de criação de semelhantes museus seja admissível pois em muitos deles predomina o motivo de acusação, - ressalta Yuri Barzikin.
"Lá tudo isso é apresentado, certamente, não como época de genocídio mas como época de esmagamento de liberdades. Mas para nós esta é história dos nossos antepassados, sem a qual é difícil de compreender, o que se passa agora e o que será depois."
De acordo com o intento dos organizadores, o complexo museico, cuja abertura foi marcada para o ano de 2017, deve atrair para esta cidade milhares de turistas russos e estrangeiros e assegurar o afluxo de importantes investimentos estrangeiros.
O famoso teatro Vakhtangov, de Moscou, acaba de apresentar mais uma estreia - é a tragédia "Othello" de Shakespeare, mas narrada agora com ajuda da linguagem plástica.
"Othello" já é terceiro espetáculo no palco do teatro Vakhtangov apresentado dentro do gênero de drama plástico. O primeiro, há cinco anos, foi a "Costa das Mulheres", - uma variação sobre o tema "a mulher e a guerra" com canções de Marlene Dietrich; a seguir veio o espetáculo "Anna Karenina", baseado no romance de Lev Tolstoi, com acompanhamento musical da autoria de Alfred Schnittke. E agora, "Othello" com a música de compositores modernos.
O espetáculo "Costa das Mulheres" suscitou repercussões contraditórias, em compensação o "Anna Karenina" teve êxito na Rússia e no estrangeiro. Por exemplo, ele foi aplaudido em Cuba. Esperava-se que a encenação desta peça de Shakespeare tivesse efeito idêntico – e as esperanças justificaram-se: o espetáculo resultou íntegro, apaixonado e perfeitamente compreensível mesmo para os espectadores que já esqueceram os pormenores da história trágica do ciumento Othello que tinha assassinado a sua esposa amada Desdêmona. A encenação de todos os três espetáculos esteve a cargo da coreógrafa lituana Angelika Kholina. Na sua entrevista à Voz da Rússia ela revelou a razão que a fez encenar precisamente esta tragédia de Shakespeare.
"Escolho a peça não de acordo com a sua envergadura ou a sua popularidade, mas de acordo com o apelo do coração. Ponho em cena somente aquilo que sinto. Eu, própria, compreendo muito bem, o que é o sentimento de ciúme e o quanto ele é destruidor para a pessoa humana. Era interessante analisar este processo, - como o ciume destrói a pessoa humana e o seu cerco... É um laboratório da alma humana."
A linguagem plástica do espetáculo é complicada: é uma combinação da acrobacia, de elementos de coreografia clássica e do modernismo. "Ensaiamos durante meio-ano e eu não acreditava até o fim que iria dançar a parte de Othello", confessou o ator Grigori Antipenko, intérprete do papel principal. Mas agora ele está convencido de que os teatros de drama simplesmente necessitam de semelhantes "experiências coreográficas":
"Esta fusão de coreografia e de arte dramática não é nada simples. Mas creio que qualquer teatro necessita desta "vacinação coreográfica", isto estimula a trupe fá-la acreditar em si, nas suas forças."
Portanto, "Anna Kareina", "Othello"... Tem-se a impressão de que os atores do teatro Vakhtangov gostaram da experiência e acrescentaram ao domínio profissional do verbo o domínio profissional do corpo. É possível que a série de espetáculos dentro do gênero de drama plástico seja continuada?
E agora, queriam ouvir um fragmento da famosa ópera de Giuseppe Verdi "Othello". Neste ano o mundo de música comemora o segundo centenário de nascimento do grande compositor.
Uma jovem esbelta fixa o olhar na vastidão do mar: ela aperta com a mão esquerda contra o peito um maço de cartas do seu bem-amado, na sua mão direita está o lenço que acaba de tirar da cabeça. Tal é o aspecto do monumento à heroína da canção russa mundialmente famosa "Katyusha". O monumento foi inaugurado em Vladivostok e logo desde o primeiro dia tornou-se uma atração turística da maior cidade portuária no litoral leste da Rússia.
O monumento a Katyusha, – uma obra de bronze, de três metros de altura, – foi instalado na margem alta da enseada Zolotoi Rog. O local da sua instalação não foi escolhido ao acaso, pois como se diz na famosa canção, "Katyusha vinha à margem alta e escarpada". Falando a propósito, precisamente esta circunstância complicava o trabalho do escultor peterburguense Konstantin Novikov, o autor do monumento.
"A situação era bastante complicada no plano arquitetônico: a escultura deve ter bom aspecto a partir de todos os pontos de vista. Portanto, quem vem do mar a bordo de um navio ou iate, deve ver uma silhueta clara de uma jovem avançando na sua direção. E quem sobe a margem, vê uma figura que como que avança para ele. Portanto, a escultura deve estar aberta a partir de todos os pontos de vista."
A inauguração do monumento a Katyusha foi sincronizada com os 75 anos da publicação desta canção. Ela foi interpretada pela primeira vez em 27 de novembro de 1938 em Moscou, e os seus primeiros ouvintes foram os oficiais do Exército Vermelho, participantes dos combates junto do lago Khasan. Em agosto de 1938 toda a imprensa soviética comentava estes combates e a canção "Katyusha", em que os seus autores, - o poeta Mikhail Isakovsky e o compositor Matvei Blanter, - contam o amor de uma moça simples e de um soldado "que serve numa fronteira longínqua", - foi dedicada precisamente a este evento. Os habitantes de Vladivostok estão certos de que esta jovem não é uma personagem fictícia. Mais do que isso: ela é sua conterrânea, o que é confirmado pelos jornais de 1938. Nos artigos daquela época diz-se que Ekaterina Alexeeva, natural de Vladivostok e mulher de um guarda-fronteira, participou dos combates junto do lago Khasan e foi condecorada pela coragem com a ordem de Estrela Vermelha.
"Não se sabe ao certo se foi esta a Katyusha ou alguma outra", - comenta o membro da Associação Geográfica Russa Serguei Kornilov.
"Existem numerosas versões. Acontece que na cidade de Ryazan foi encontrada uma Katyusha local e na cidade de Saratov, uma outra. Uma das versões mais comuns diz que a personagem desta canção é Ekaterina Eremenko, natural da região de Kuban."
Katyusha virou realmente uma lenda e nem tanto na década de 30, quanto na década de 40, durante a Segunda Guerra Mundial. Esta canção de combate era tão querida que o seu nome foi dado a sistemas de fogo simultâneo e estas "Katyuchas" passaram a ser chamadas a "arma da vitória". Hoje a canção "Katyucha" soa no mundo inteiro, ela foi traduzida para muitas línguas e, como é natural, para o espanhol. E nós vamos transmiti-lá na interpretação de Felix Zarikatti, cantor russo de música ligeira.
Leia mais: http://portuguese.ruvr.ru/2013_11_20/museu-da-uniao-sovietica-abre-em-ulianovsk-0300/
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